- Estamos em um momento difícil para organizar as mulheres e trazê-las para a luta devido a conjuntura que estamos vivendo. Essa crise econômica que todo mundo sente no bolso, ataca mais as mulheres. Só no primeiro semestre de 2016, cerca de 200 mil mulheres perderam seus postos de trabalho - informou a militante Gabriela Santetti do Movimento Mulheres em Luta (MML).
Trechos da palestra com Gabriela Santetti:
Cenário [ouvir áudio]
Machismo [ouvir áudio]
Colega de trabalho [ouvir áudio]
Patrões [ouvir áudio]
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Segundo dados do MML as mulheres ganham um terço a menos que os homens para cumprir a mesma função e com a crise econômica o salário das mulheres tem se aproximado ainda mais da faixa salarial masculina.
- Isso porque os homens estão ganhando menos. Todos estão tendo uma queda na qualidade de vida, mas em especial, essa crise econômica, atinge mais as mulheres porque dificulta a sua participação nos espaços de debate, em muitos casos, até por medo da serem demitidas - lamenta Gabriela.
Com a discussão sobre o machismo nas Unidades dos Correios, Gabriela disse nem sempre essa é uma atitude que parte apenas da chefia, pode ocorrer com os colegas de trabalho e até com a família em casa.
- O homem não é o responsável direto pelo machismo, mas é o agente, muitas vezes esse machismo está em nosso colega ao lado - comenta.
Por isso, a militante da luta e do combate ao preconceito de gênero, destacou a importância da auto-organização das mulheres em espaços de debate.
- O machismo é uma ideologia, ou seja, um conjunto de ideias ensinadas, tanto para homens quanto para mulheres - explica Gabriela.
Para a militante são características atribuídas as mulheres - trabalho doméstico ou não saber dirigir, que precisam ser combatidas.
- São situações que ocorrem durante toda a vida, mas as pessoas nem se dão conta que isso é a reprodução do machismo - insiste.
Para Karina ex-dirigente do Sintect/RS essas ideias precisam ser combatidas no seu conjunto.
- O machismo é reproduzido porque nos convivemos com ele durante toda a vida. Precisamos combater a sutileza deste machismo, seja em piadas ou brincadeiras dos colegas - afirma Karina.
Durante o Encontro a carteira apresentou as experiências das mulheres gaúchas para equiparar direitos e lutar contra o machismo e a desvalorização da mulher no ambiente de trabalho dos Correios no Rio Grande do Sul.
A assistente social e dirigente do Sintect/SC Thais Ciara Jasper Moreira citou como exemplo a diferença entre a pratica e a realidade nos Correios, pois a ECT é contraditória em seu discurso de combate ao preconceito.
- Este benefício do auxílio-creche e babá não é estendido para os homens, que são a maioria dos funcionários dos Correios. Entretanto, a empresa se propõe a promover o debate sobre gênero e raça. Ela cumpre este direito de uma maneira que fique bonito no discurso, desde que não tenha impacto econômico para a ECT - relembra Thais.
Além disso, a dirigente reforça que os Correios não têm uma política de ação-afirmativa.
- Os Correios como empresa não coibi os preconceitos e não quebra o ciclo de violência de verdade - avalia Thais.
O Acordo Coletivo de Trabalho assegura às mulheres em situação de violência doméstica usufruir da Lei Maria da Penha, o texto diz que ela não pode perder o emprego durante seis meses, justamente para neste período ser colocada em medida protetiva.
- Para que serve para uma mulher que está em situação de violência, precisando ser tirada de casa, muitas vezes com os filhos no braço, seis meses de estabilidade no emprego, mas sem receber salário? - questiona Thais.
As diretrizes como resultado deste Encontro Regional serão levadas para o debate nacional.
- Mesmo diante de todas as dificuldades o evento foi realizado. Em nome da diretoria agradeço a participação das trabalhadoras e das convidadas Karina ex-dirigente do Sintect/RS e da Gabriela do MML. Além da oportunidade para discutir temas do cotidiano de trabalho nos Correios, aqui hoje, foi reafirmado o nosso comprometimento enquanto dirigente sindical, de lutar com empenho, contra qualquer tipo de preconceito. Foi muito importante compartilhar as experiência do Movimento Mulheres em Luta. Estamos unidos na luta pela valorização das mulheres ecetistas - termina a dirigente Sintect/SC Lucia Helena.
Ficou combinado que as quatro delegadas selecionadas para representar a categoria vão consultar as bases nos locais de trabalho para obter das mulheres sugestões a respeito de situações do cotidiano de trabalho para serem discutidas no encontro nacional.
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