Déficit deverá ser pago pela ECT e não pelos trabalhadores

A má administração dos recursos soma-se ao fato da ECT, presidida por membros do Partido dos Trabalhadores (PT), ter deixado de pagar cerca de R$ 1,15 bilhão.

O rombo financeiro do Postalis de R$ 5,6 bilhões é de responsabilidade do PT e do PMDB, pois os integrantes dos dois partidos ocupam os cargos administrativos do Postalis. Agora, para tapar o rombo o Conselho Deliberativo do Postalis aprovou no dia 5 de março um reajuste de 3,94% para 25,98%, na contribuição extraordinária dos trabalhadores, referente ao Benefício Proporcional Saldado (BPS). A má administração dos recursos soma-se ao fato da ECT, presidida por membros do Partido dos Trabalhadores (PT), ter deixado de pagar cerca de R$ 1,15 bilhão, referente ao saldamento do Reserva Técnica de Serviço Anterior (RTSA). Compromisso assumido pela empresa em 2008. 

Os problemas no Postalis não param de repercutir na imprensa. Em reportagem publicada no jornal O Globo com o título: “Em fraude milionária gestora do Postalis altera preço de títulos com tinta corretora”,  o prejuízo é estimado em R$ 68 milhões.

Ao menos seis papeis de instituições financeiras na carteira do Postalis tiveram o valor adulterado com tinta corretora ou com simples “corta e cola” nos processos digitalizados. A fraude aconteceu entre 2006 e 2009. “Os responsáveis são os sócios da Atlântica Asset Managment, gestora contratada pelo Postalis para investir o dinheiro dos Carteiros em títulos da dívida brasileira no exterior”, cita a matéria.

A Atlântica Asset Managment aplicou os recursos em investimentos considerados de alto risco. Além disso, a gestora do Postalis fraudou as notas para elevar os valores e desviar recursos do Postalis. 

Depois de toda está farra com o dinheiro do Postalis, os gestores da entidade, querem cobrar o valor do prejuízo promovendo um desconto extraordinário no salário dos trabalhadores. Isso tudo com o aval dos “representantes da categoria” membros da Fentect e da CUT, José Rivaldo da Silva e Manoel Almeida Santana, conselheiros do Postalis. Lembrando que está contribuição não será de apenas um mês, o valor será pago durante 186 meses ou 15 anos e meios. 

Qual é a diferença entre Postalis e o Postalprev?

O Postalis oferece planos de benefício definido, ou seja, os valores das pensões que vão ser recebidas pelos beneficiários encontram-se previamente definidos (formula de cálculo). O trabalhador tem uma garantia de quanto vai receber ao se aposentar. As contribuições poderão ser ajustadas para garantir o pagamento desses benefícios

O Postalprev  tem contribuição definida, ou seja, os benefícios serão estabelecidos em função da acumulação dos valores da contribuição e dos rendimentos financeiros. O trabalhador não tem garantia nenhuma de quanto vai receber ao se aposentar, pois isso dependerá do saldo do participante e do cálculo sobre a expectativa de vida.  Desta maneira, os rombos – déficit - do PostalPrev refletirão sobre o benefício da aposentadoria e não da contribuição mensal como é o caso do Postalis.

Mentira sobre o Postalprev

Segundo a ECT quem migrou do Postalis para o PostalPrev fez um bom negócio pois não sofrerá o desconto.Entretanto, a empresa não informa que também existe “incompetência na gestão dos investimentos” do Postalprev.  As perdas do plano de previdência não são revertidas nas mensalidades, mas têm reflexo para as aposentadorias. Quanto maior forem as perdas financeiras do fundo, menor será o beneficio para o trabalhador na aposentadoria.

Responsáveis deverão pagar a conta do déficit

Não podemos aceitar que o governo permita o desconto de 25,98% do salário dos trabalhadores. Este desconto vai comprometer a renda familiar de mais de 70 mil trabalhadores. 

A direção do Sintect/SC, representando cerca de 4 mil trabalhadores em Santa Catarina, exigem providências, e orienta a ECT e o governo Dilma/PT: abrir inquérito para apurar e investigar a má gestão dos recursos do Postalis. Afastar os membros da atual diretoria do Fundo de Pensão dos Correios. Auditar a gestão dos recursos do Postalis e do PostalPrev. Pagar o déficit do Postalis com recursos do orçamento da ECT. Punir os responsáveis. 

Não queremos uma CPI que acabe em pizza, é preciso uma investigação seria e com a participação dos trabalhadores. 

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