Por que pedimos o desconto assistencial?

Entenda a situação financeira do sindicato e os motivos do desconto assistencial

 
O Sintect/SC está em uma situação financeira muito difícil. A nova diretoria assumiu o sindicato com mais de 100 mil reais de dívidas devido as últimas greves e ao próprio processo de eleitoral na entidade. Isso dificultou muito o trabalho da nova direção ao tomar posse em meio a Campanha Salarial. Também encontramos muitos problemas no setor jurídico. Eram mais de 300 processos parados, e pior, muitos trabalhadores achavam que as ações estavam em andamento. De acordo com os advogados, o jurídico ficou por quase dois meses sem mover uma palha, por falta de orientação da antiga gestão.

A situação legal da entidade também estava uma bagunça, com irregularidades desde 1992. 

O caos era tão grande que foi necessário registrar em Cartório as atas de posse das duas últimas gestões da CUT. 

A categoria correu o risco de perder o sindicato devido aos inúmeros problemas. Cabe lembrar que se estes problemas tivessem sido resolvidos imediatamente seria muito simples, mas não foram e chegamos até a perder a carta sindical (documento que regulamenta a entidade). Se a situação não fosse resolvida até janeiro de 2015 o sindicato teria de fechar as portas. 

Desde o primeiro momento que nos deparamos com essa situação nos empenhamos para resolvê-la, porém a tarefa não está sendo fácil. Por isso, houve o bloqueio do imposto sindical. Como se não bastasse isso, tentando inviabilizar o nosso trabalho durante a Campanha Salarial, a empresa entrou com uma ação na justiça para bloquear o repasse financeiro mensal ao sindicato. 

Por que pedimos o desconto assistencial?

Nos últimos cinco meses a direção do sindicato realizou cerca de 437 reuniões setoriais e mais 20 assembleias gerais e regionais. Para não deixar o sindicato parar de funcionar foi necessário aumentar as dívidas da entidade, pois as demandas dos trabalhadores não param de aumentar.  Precisamos do financiamento dos trabalhadores para os dirigentes continuarem presentes nos locais de trabalho, para imprimir os panfletos e jornais, para fazer as visitas setoriais, manter o jurídico funcionando entre outras coisas.

Até o momento nos equacionamos as contas com a esperança de obter a liberação do imposto sindical para colocar as contas do Sintect/SC em dia, porém isso ainda não aconteceu. Em reunião executiva foi debatida a solução para a situação financeira do sindicato. Como não temos mais o que enxugar e avaliando que não poderíamos paralisar o Sintect/SC, o melhor foi pedir a contribuição assistencial.

A contribuição assistencial é solicitada todos os anos ao final da Campanha Salarial, pois este é um período que o sindicato tem mais gastos para manter a greve, com o aumento dos números de materiais e até a necessidade de mais reuniões setoriais. Este ano muitos trabalhadores estão questionando o desconto por não ter acontecido a greve. Compreendemos este questionamento pois é justo, mas mesmo sem a greve, houve um gasto maior neste período. O que também não é o problema central, pois a dificuldade é superar a dívida herdada das gestões anteriores do Sintect/SC.

Este ano com as mudanças no Acordo Coletivo em relação ao desconto assistencial, retornou ao texto a possibilidade de pedir essa colaboração também dos trabalhadores não filiados.  

Não achamos justo descontar a mesma quantia de todos os trabalhadores pois o sindicalizado já contribui o ano inteiro. Optamos por pedir 1% do sócio e 5% do não sócio.

Lembramos a todos que o desconto é opcional - não é obrigatório - mas pedimos a compreensão de todos os trabalhadores em condições de contribuir pois precisamos fortalecer o Sintect/SC. Este fortalecimento passa pela participação nas atividades e também pela estabilidade financeira.

O que já conseguimos fazer?

Mesmo com um caixa negativo não deixamos de ir às bases para mobilizar e discutir com a categoria a Campanha Salarial. Em relação a regulamentação do sindicato tivemos que deslocar um dirigentes só para resolver os problemas burocráticos da entidade. Os documentos foram encaminhados para o MTE para regularizar a situação do sindicato. É possível que nos próximos dias o MTE confirme a regularização da entidade. 

Corremos atrás de sindicatos parceiros e pedimos empréstimos para não deixar a categoria sem informação. Hoje, já conseguimos colocar em dia os processos e o jurídico está mais ágil. Houve um esforço do conjunto dos dirigentes. Muitos usaram seus carros particulares para realizar as reuniões setoriais. 

Os dirigentes tiveram que esperar para receber o vale-alimentação e os dias liberados com ônus para o sindicato. Não estamos aqui lamentando, mas achamos importante revelar para a categoria qual é a real situação de nossa entidade. 
 

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