Após a greve, muitos funcionários dos Correios têm feito reclamações sobre a maneira como a direção regional da ECT em Santa Catarina tem tratado os trabalhadores. Como a relação de forças é muito desigual, os trabalhadores têm sofrido atitudes punitivas. O exemplo são as convocações para trabalhar aos finais de semana, a proibição de realização de reuniões com o sindicato nos locais de trabalho, ou a aplicação da Solicitação de Informação e Defesa (SID).
Ainda que de maneira velada, todas essas atitudes têm o intuito de punir, enfraquecer o movimento e amedrontar os trabalhadores. Isso é uma das piores formas de assédio moral, pois o trabalhador fica em uma situação vulnerável, sendo obrigado a acatar a ordem da Empresa. \"O que isso demonstra é que hoje em dia, a Ditadura se mantém nos espaços onde existe relação de poder, só que ao invés de utilizar armas e a força, os patrões aplicam a pressão psicológica\", indigna-se o Secretário de Assuntos Jurídicos, Jacques Bitencourt.
Ao trabalhador resta uma receita antiga: unir-se para defender-se. Neste momento o mais importante é quebrar o silencio, denunciar qualquer maneira de exploração e assédio. O sindicato procura na Justiça fazer a defesa dos trabalhadores, mas se manter unido é fundamental, pois assim a lógica da pressão psicológica poderá se inverter. Por isso, na época da greve os patrões evitam afrontar os trabalhadores. Neste momento o trabalhador está unido e força a Empresa a mudar sua atitude.
Para dar ainda mais visibilidade a tudo que tem ocorrido após a greve o Sintect/SC está publicando no site, as denúncias que estão sendo comunicadas pelos trabalhadores aos diretores do sindicato. Solicitamos aos companheiros dos Correios, que estão sendo vítimas de assédio, que envie por email ao Sintect/SC a sua denúncia. As informações pessoais serão mantidas em sigilo para evitar que o trabalhador sofra ainda mais pressão por parte da Empresa.
Veja algumas das denúncias enviadas ao Sintect/SC
Fiz greve por melhorias no ambiente de trabalho e para obter uma remuneração mais justa. Ao voltar ao trabalho, depois de uma luta trabalhista, no dia 15/10, o gerente dos Correios do meu município me informou que eu não poderia trabalhar mais aos sábados e que colocaria outra pessoa no meu lugar. Com isso, perdi 15% em dinheiro, e mais quatro tiquetes alimentação, e que também havia tirado minha senha para uso do e-mail da Empresa. Acatei a determinação sem perguntar. Continuei realizando o meu serviço da melhor forma possível. Fui chamado a sala da gerência e me deram as seguintes opções: Florianópolis, Tubarão ou Sombrio. Perguntei se podia ficar na Comercial do meu município, pois trabalho na Operacional, mas me disseram que não. Aceitei ir para uma das cidades, a partir de segunda-feira, dia 24, pois percebi que não havia melhor situação para mim diante daquela reunião. Me senti pressionado e tive de responder, aceitando a pressão das chefias. No entanto, desejo me manter no meu município próximo aos meus amigos e família. Não cometi nenhum crime para ser julgado e condenado desta maneira.
Estou sendo assediada moralmente e retaliada por cobrar das chefias o cumprimento da determinação do TST, com respeito a todos os intervalos legais e o direito de compensar as horas da greve no local em que os trabalhadores estão lotados. Ninguém é obrigado a ir para outra unidade, isso é quebra de contrato de trabalho. Conversei com o gerente do turno e com o eventual gerente geral, sobre as medidas tomadas pela Empresa contra os grevistas e até mesmo contra os não grevistas. Também o coordenador do meu setor já havia reclamado, no dia 21, de manhã, que eu não estava produzindo e saia muito do meu lugar e por isso tinha muita carga parada. Eu falei que não era única que estava conversando e que havia carga atrasada porque ele me deixou sozinha no TG2 B (que é em dupla). No dia 19, na parte da manhã, veio alguém que ajudou, mas não conhecia o setor. Na verdade o que está ocorrendo é perseguição até por assuntos ocorridos antes da greve que eu fiz requerimentos sobre acidentes de trabalho e as más condições do prédio. O gerente do turno me chamou para conversar. Eu perguntei sobre o que era e se ele poderia conversar ali no meu posto de trabalho. O gerente insistiu que não, eu disse que quando eu queria falar com o ASGET eu iria à sala dele, então porque ele não poderia ir ao meu local de trabalho. É assim, quando é meu interesse eu não posso sair do meu local de trabalho, mas quando é interesse deles eu tenho que sair. Ele falou ainda que a greve acabou, agora vamos trabalhar, eu respondi: que a greve acabou mas começou a retaliação. Como estou cobrando, eles estão tentando calar a minha boca. O ASGET pediu para o meu gerente me observar. Agradeço aos colegas que me deram suporte na conversa com o ASGET.
Fui convocado pela terceira vez, para trabalhar no final de semana, só que desta vez os Correios S/A uma empresa respeitosa com seus empregados, e com o direito do trabalhador de fazer greve, não me convocou para trabalhar no domingo, fui convocado para trabalhar apenas no sábado, dia 29, estarei então, se não passar mal ou adoecer, completando 17 dias corridos de trabalho, pasmem 17 dias sem folga. Nós estamos de cabeça baixa acatando essa violência aos nossos direitos, sem ao menos fazer um protesto. Precisamos levar a situação para a imprensa, mostrar como está o local de trabalho, entrevistar nossos camaradas, pra que eles digam como se sentem depois de 17 dias trabalhados sem folga, como está a família de cada um.
Outras denúncias serão publicadas.
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