De acordo com os dirigentes do Sindes o Assédio Moral não é um tema novo no cotidiano de trabalho, mas abordar o assunto no meio sindical é um grande desafio. No intuito de promover o debate os funcionários do Sintect/SC participaram do lançamento da cartilha sobre assédio moral contra trabalhadores que atuam em sindicatos. O evento ocorreu no plenarinho da Assembleia Legislativa do Estado de SC e faz parte dos trabalhos organizados pela Frente Parlamentar em Defesa da Saúde do trabalhador e da trabalhadora.
A cartilha trata do assédio cometido por dirigentes sindicais e aponta como principal motivo a mudança de comportamento do dirigente que deixa de estar na base para fazer política e passa a disputar espaço com o funcionário dentro da entidade.
“É como se o sindicalista tivesse uma grande empresa para administrar", destacou Janilde Franco de Araújo, Diretora de Política Social da Fites, trabalhadora do Sindsprev/RJ e uma das elaboradoras da cartilha.
Na sociedade capitalista o conflito é inerente a relação de trabalho. Entretanto, alguns sindicalistas utilizam a entidade como espaço de exercício de poder e para prospecção da carreira profissional.
O tempo de uma mesma diretoria na direção do sindicato também é apontado como uma das causas da incoerência no comportamento de dirigentes sindicais.
Uma gestão as vezes não é suficiente para lutar pelos direitos dos trabalhadores para conquistar vitórias, entretanto tem entidades em que um mesmo dirigente sindical compõe a direção por quase 30 anos.
Isso favorece a manutenção da zona de conforto, transformando um dirigente combativo em um burocrata.
A cartilha contém o depoimento de uma trabalhadora que atualmente sofre as consequências do Assédio Moral.
Sivandra Krauspenhar, diretora da Fites e do Sindes, trabalhadora de sindicato e vítima de Assédio Moral, ela relata a dificuldade de denunciar a situação e buscar a Justiça.
"Não foram todos os diretores que me assediaram, mas os que não se manifestaram foram coniventes. Tive sintomas como depressão profunda (...) Apesar de vítima, você se sente culpada pelo assédio.(...) É preciso também que o trabalhador que sofre assédio procure o seu sindicato para ser orientado", destaca.
Para o Secretário Geral do Sintect/SC Hélio Samuel de Medeiros o assunto deve ser tratado pelas entidades sindicais pois não é admissível um dirigente sindical ter o mesmo comportamento que o patrão contra quem ele luta tanto.
"Na casa do ferreiro o espeto não pode ser de pau. Os dirigentes tem um compromisso com a luta dos trabalhadores e isso inclui quem atua em sindicatos. São pessoas muitas vezes que conhecem o sindicato melhor do que o próprio dirigente. A relação deve ser de respeito e se houver problemas o assunto deverá ser tratado com atenção, transparência e dignidade e principalmente sem prejuízo a saúde do trabalhador", comenta.
Sobre a incoerência no comportamento de um dirigente sindical o Secretário Geral diz que é preciso lembrar:
- "Nós não somos dirigentes sindicais, nós estamos dirigentes sindicais.", destaca Hélio.
A cartilha o Assédio Moral no Meio Sindical é uma produção de uma parceria entre o Sindes e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Entidades Sindicais e órgãos de Classe.
A publicação pretende informar os sindicatários sobre como proceder em caso de ser vítima dessa situação.
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