Em Assembleias os trabalhadores não aceitaram as propostas da Empresa, o que iniciou um processo de negociação com a mediação do TST. O maior impasse ficou por conta dos descontos dos dias parados. A categoria considerava injusto o desconto, já que a greve é um direito assegurado na Constituição, e os trabalhadores sempre se comprometeram em fazer horas-extras para colocar as entregas em dia.
Conforme avalia o membro do Conselho Fiscal do Sintect/SC, Gilberto Alves, a greve aprovada pelos trabalhadores dos Correios em Assembleias regionais, ocorrida no dia 13/09, respeitou decisão da maioria que entendeu a necessidade de enfrentar o governo para ter as reivindicações atendidas. “Desde o inicio nos sabíamos que a negociação seria difícil. O governo federal e a ECT estavam com o discurso azeitado e utilizando os possíveis reflexos da crise econômica internacional para justificar o não atendimento das questões salariais da categoria” afirma.
Ao fim da negociação a Federação não conseguiu reverter, durante o julgamento, o desconto dos dias em que os trabalhadores se mantiveram em greve. A Seção de Dissídios Coletivos do tribunal autorizou a compensação de 21 dias e o desconto de sete, sem a devolução dos seis dias já descontados. Entretanto, a corte não considerou que a greve foi abusiva e concedeu 6,87% de reajuste retroativo a agosto e aumento linear de R$ 80 a partir de 1º de outubro.
Além disso, a truculência no posicionamento do presidente dos Correios com relação a Campanha Salarial se apresentou como uma tentativa de blindagem do governo federal, de maneira que a situação não gerasse qualquer tipo de desgaste político ao governo da presidenta Dilma. Para causar esse efeito, a Empresa tentou enfraquecer a mobilização informando o número reduzido de trabalhadores mobilizados e se esquivando da negociação.
“Acredito que a estratégia adotada tenha sido equivocada porque os trabalhadores em todo o país estiveram na greve. Tanto a situação da ECT quanto a da própria política do governo foram expostas para toda a sociedade. Tudo isso, provocado por falta de sintonia entre o ministro das comunicações e o presidente dos Correios”, avalia o Secretário Geral do Sintect/SC, Hélio Samuel de Medeiros.