Assembleia em Rio do Sul: Ecetistas reafirmam mobilização em defesa dos direitos e contra a reestruturação

Durante a assembleia, o dirigente Rafael Pereira apresentou informes sobre a nova tese jurídica referente ao PCCS de 2008, destinada à revisão das progressões salariais realizadas de maneira incorreta.

Os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios de Rio do Sul e região realizaram, no dia 30/7, uma assembleia para debater as condições de trabalho, a Campanha Salarial 2026/2027, os impactos da reestruturação promovida pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e as principais ações jurídicas conduzidas pelo Sintect/SC.
 
A atividade reuniu ecetistas de Rio do Sul, Ituporanga, Aurora e outros municípios da região. 
 
A assembleia foi conduzida pelos dirigentes Luiz Alberto Garcia e Rafael Pereira da Silva com a participação do delegado sindical André Luis Conti, do CDD Rio do Sul.
 
Assessoria jurídica apresenta novas ações
 
Durante a assembleia, o dirigente Rafael Pereira apresentou informes sobre a nova tese jurídica referente ao PCCS de 2008, destinada à revisão das progressões salariais realizadas de maneira incorreta.
 
Os trabalhadores interessados foram orientados a procurar o sindicato com sua ficha cadastral para análise do caso.
 
Também foram repassadas informações sobre as ações do Adicional de Distribuição e Coleta (AADC), os pagamentos dos precatórios, a execução individual da ação dos 70% das férias para empregados que venderam o abono pecuniário a partir de 2016 e a possibilidade de ingresso na ação referente à multa do seguro de vida, originária de 2015.
 
Segurança no trabalho e combate ao assédio
 
Os dirigentes esclareceram o funcionamento do novo sistema de distribuição de uniformes implantado em Santa Catarina, além de orientar os trabalhadores sobre seus direitos em relação ao uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), smartphones corporativos e veículos utilizados nas atividades externas.
 
O sindicato reforçou que nenhum empregado deve apresentar defesa administrativa sem acompanhamento da entidade e destacou que o trabalhador pode se recusar a executar atividades quando não houver equipamentos de proteção adequados ou quando os veículos apresentarem problemas mecânicos que coloquem sua integridade física em risco.
 
Também foi abordada a entrada em vigor da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas a gestão dos riscos psicossociais, fortalecendo os mecanismos de prevenção ao assédio moral e ao adoecimento mental provocado pela pressão por metas.
 
Categoria denuncia efeitos da reestruturação
 
Os trabalhadores manifestaram preocupação com a implantação do Sistema de Distribuição Domiciliária (SDD), o fechamento de unidades operacionais e a redução do efetivo.
 
Foi informado que, em razão da mobilização nacional da categoria e do indicativo de greve aprovado em julho, foi instalada uma Mesa de Negociação envolvendo o Governo Federal e a Presidência dos Correios, com o objetivo de impedir o avanço da reestruturação até a conclusão das negociações.
 
Durante os debates, também foram registradas denúncias de desvio de função, diante da utilização de supervisores e gestores na execução de atividades operacionais, como distribuição de objetos postais e descarga de caminhões, prática que evidencia a insuficiência de pessoal e amplia os riscos de acidentes de trabalho.
 
Trabalhadores ainda relataram redução significativa da carga de trabalho em municípios como Ituporanga, estimada em cerca de 30%, além da falta de efetivo na Unidade de Pouso Redondo.
 
Campanha Salarial busca recuperar direitos
 
Os participantes acompanharam um vídeo enviado diretamente de Brasília pelo dirigente sindical Érico Santos, integrante do Comando Nacional de Negociação, com informações atualizadas sobre as negociações nacionais.
 
Luiz Alberto Garcia relembrou o histórico das relações de trabalho nos Correios, destacando que a empresa repassou aproximadamente R$ 9 bilhões ao Tesouro Nacional entre 2000 e 2013, enquanto a categoria acumulou importantes perdas de direitos, especialmente após as decisões do Tribunal Superior do Trabalho em 2020.
 
Durante o debate, foi ressaltado que a pauta econômica da campanha busca recuperar parte dessas perdas por meio de reajustes salariais lineares, priorizando os trabalhadores de menor remuneração. 
 
Também foram feitas críticas à retirada do adicional de quebra de caixa e da AAG dos atendentes comerciais, medidas que reduziram significativamente a remuneração de parte da categoria.
 
Mobilização permanente
 
Ao final da assembleia, os trabalhadores reafirmaram o estado de greve e a necessidade de manter a mobilização permanente durante todo o processo de negociação coletiva.
 
A categoria também assumiu o compromisso de resistir a qualquer retirada de direitos na região de Rio do Sul, incluindo a defesa da manutenção do adicional de 30% dos motociclistas eventualmente transferidos de função por decisão da empresa.

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