Ecetistas questionam proposta de jornada 12x36 e alerta para nova fase da precarização
Um dos principais impactos da mudança seria o aumento do desgaste físico e mental dos trabalhadores.
A proposta de implementação da jornada de trabalho 12x36 nos Correios tem gerado forte reação entre trabalhadores e nas trabalhadoras dos Correios pois a medida representa um retrocesso nas condições de trabalho e ignora as particularidades da atividade postal, especialmente na área de distribuição externa.
De acordo com os dirigentes do Sintect/SC a jornada — que prevê 12 horas consecutivas de trabalho seguidas por 36 horas de descanso — não se adequa à rotina dos Carteiros, marcada por intenso esforço físico e exposição constante a fatores climáticos e riscos urbanos.
Um dos principais impactos da mudança seria o aumento do desgaste físico e mental dos trabalhadores.
A permanência prolongada em atividade externa pode levar à exaustão, além de favorecer o surgimento de lesões e doenças ocupacionais.
Outro ponto de preocupação é a segurança.
A fadiga acumulada ao longo de longas jornadas tende a reduzir a capacidade de atenção, elevando o risco de acidentes de trabalho e de trânsito.
“Estamos falando de trabalhadores que já enfrentam condições difíceis diariamente. Ampliar a jornada é colocar vidas em risco”, chama a atenção, o dirigente sindical Josiel Reis.
A proposta também pode afetar diretamente a qualidade dos serviços prestados.
Trabalhadores exaustos tendem a apresentar queda de desempenho, o que pode comprometer a eficiência das entregas e a segurança das operações.
Além disso, o sindicato alerta para a possibilidade de precarização das relações de trabalho, com a flexibilização de direitos historicamente conquistados pela categoria.
A discussão também envolve aspectos legais.
A Constituição Federal estabelece, no artigo 7º, inciso XXII, a obrigatoriedade de redução dos riscos inerentes ao trabalho, garantindo condições dignas aos trabalhadores.
A adoção da jornada 12x36 em atividades de alta exigência física pode contrariar esse princípio.
Diante do cenário, o Sintect/SC é contrário à proposta.
A entidade defende que a medida não resolve o problema estrutural enfrentado pela empresa, que seria a falta de efetivo, e ainda amplia os riscos à saúde e segurança dos ecetistas.
Como alternativa, o sindicato reivindica a contratação de novos funcionários, melhorias nas condições de trabalho e políticas de valorização da categoria.
A entidade reforça que seguirá mobilizada contra a implementação da jornada 12x36 e destaca que a luta é pela manutenção de direitos e por condições dignas de trabalho.
Para os trabalhadores, o recado é claro: a medida não representa avanço, mas sim um processo de precarização.