Sintect/SC lança advertência política contra ataques aos direitos dos trabalhadores dos correios

Alertamos: a manutenção desse ataque aprofundará o conflito, ampliará a mobilização nacional da categoria e fortalecerá a resistência nos locais de trabalho, nas ruas e nas instâncias políticas.

Prezados Companheiros e Companheiras,
 
O SINTECT/SC vem a público, por meio desta, manifestar sua mais profunda indignação, revolta e repúdio às ações conduzidas pelo atual presidente dos Correios, Emmanuel Rondon, sob orientação direta do Governo Federal, que representam um ataque frontal, consciente e inaceitável aos direitos reconquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios após anos de intensa luta, resistência e mobilização.
 
A decisão deliberada do presidente dos Correios de não acatar a sentença normativa estabelecida pelo Pleno do Tribunal Superior do Trabalho, que seguiu rigorosamente a jurisprudência da Corte e manteve as cláusulas históricas dos Acordos Coletivos de Trabalho, revela não apenas irresponsabilidade administrativa, mas uma postura política autoritária e provocativa, que afronta o ordenamento jurídico, a negociação coletiva e a própria classe trabalhadora.
 
Diante disso, os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios, por intermédio do SINTECT/SC, encaminham à CUT Nacional e Estadual esta MOÇÃO DE REPÚDIO E ADVERTÊNCIA POLÍTICA ao presidente dos Correios, Emmanuel Rondon, e ao Governo Federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por promoverem um ataque direto a um bloco central de nossos direitos, colocando em risco conquistas históricas e a estabilidade de milhares de famílias.
 
Tal postura, que remete às práticas do governo anterior, representa uma ruptura grave com os compromissos assumidos durante o processo eleitoral. 
 
A categoria ecetista foi parte ativa na construção da vitória deste governo, acreditando em um projeto que respeitasse os trabalhadores, fortalecesse as estatais e valorizasse os Correios enquanto patrimônio do povo brasileiro. 
 
O que se vê, no entanto, é a repetição de uma política de enfrentamento, retirada de direitos e criminalização da luta sindical.
 
Ao recorrer ao Supremo Tribunal Federal com o objetivo de suprimir direitos consolidados, a direção da empresa não apenas desrespeita os trabalhadores, mas declara guerra aberta à organização sindical, à FENTECT, aos sindicatos filiados e aos mais de 80 mil trabalhadores e trabalhadoras que constroem diariamente os Correios. 
 
Trata-se de uma escolha política que terá resposta política, jurídica e social à altura.
 
Os Correios não são — e jamais serão — uma simples empresa voltada à lógica do lucro.
 
São uma instituição pública essencial, com mais de 363 anos de história, presente em todos os municípios do país, responsável por garantir cidadania, integração nacional e desenvolvimento social. Atacar seus trabalhadores é atacar diretamente o povo brasileiro.
 
Recorrer ao STF para desmontar direitos conquistados ao longo de décadas evidencia desprezo, desconhecimento e desvalorização do papel estratégico desempenhado pelos trabalhadores e trabalhadoras ecetistas. 
 
A categoria não aceitará retrocessos nem será colocada como variável de ajuste de decisões políticas equivocadas.
 
Nesse sentido, o SINTECT/SC expressa a indignação coletiva da categoria e torna público à Central Única dos Trabalhadores seu repúdio absoluto à política adotada pela presidência dos Correios e pelo Governo Federal. 
 
Exigimos uma intervenção imediata da CUT junto ao Governo, cobrando do presidente Lula uma determinação clara para que seu indicado retire, sem qualquer demora, a ação impetrada no STF e cumpra integralmente a decisão do TST.
 
Alertamos: a manutenção desse ataque aprofundará o conflito, ampliará a mobilização nacional da categoria e fortalecerá a resistência nos locais de trabalho, nas ruas e nas instâncias políticas. 
 
Não haverá recuo diante da tentativa de retirada de direitos.
 
O SINTECT/SC, enquanto entidade filiada à CUT, exige ainda que a Central se posicione publicamente, por meio de nota oficial de apoio, denunciando a política de ataques às estatais conduzida pelo Governo Federal, em especial pelo ministro Rui Costa e pela ministra Esther Dweck.
 
Por fim, exigimos que o presidente Lula dialogue diretamente com os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios antes de qualquer proposta de reestruturação da empresa. 
 
Os Correios existem há mais de três séculos porque foram e são construídos diariamente por sua força de trabalho — e não aceitaremos decisões impostas de cima para baixo.
 
Direitos não se negociam. Direitos se ampliam. 
Se atacarem, haverá resposta.
 
Saudações Sindicais,
 
Hélio Samuel de Medeiros
Secretário Geral do SINTECT/SC

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