Mário Ruopollo conquistou o emprego de carteiro para um único destinatário, o escritor e pensador Pablo Neruda. Mário teria que sobreviver apenas com a gorjeta do escritor, pois o salário era muito baixo. O carteiro interessou-se tanto pela fama do poeta porque atraia a atenção de muitas mulheres. Aos poucos o carteiro aprendeu a escrever sobre seus sentimentos e Neruda ganhou, em troca, um ouvinte compreensivo para suas lembranças saudosas do Chile. Além disso, o aprendiz tornou-se um crítico ao sistema político opressor do qual Neruda precisou exilar-se. Essa história que mistura ficção e realidade é contada no filme: \"O Carteiro e o Poeta\", um romance do diretor Michael Redford (1994).
O carteiro retratado no filme é um apaixonado pela profissão e a partir dela aprendeu sobre a vida. Assim, como muitos carteiros que enfrentam dias de sol e de chuva para levar as correspondências por todos os cantos do Brasil. Semelhante ao filme, o carteiro é um amigo. Com este sentimento ele é recebido por quem o espera. Em outros tempos, era ansiosamente aguardado, pois por suas mãos a distância era reduzida e a saudade amenizada. Hoje, mesmo com a tecnologia que não se sabe ao certo se aproximou ou distanciou as pessoas, o carteiro passou a levar menos sentimentos mas manteve sua importância de comunicar as pessoas.
A profissão é antiga e já se pensou que ela poderia acabar. Entretanto, a profissão vai se adaptando as mudanças e desde o ano de 3.000 A.C., quando mensageiros velozes corriam quilômetros para levar recados aos governantes. O primeiro imperador romano, Otávio Augusto, por volta do ano 10 A.C. decidiu construir estradas para os mensageiros levarem e trazerem as mensagens já que o império era muito grande. Os incas, povos indígenas que habitaram a América do Sul no século XVI, faziam suas correspondências viajar por uma estrada de pedra, entre Colômbia e Chile, com cerca de 8 mil quilômetros de extensão. A cada 5 quilômetros, um homem esperava o outro que estava por vir, interceptava a mensagem e seguia adiante até encontrar o próximo. O revezamento assim se sucedia até chegar o local de destino, sem cansar os mensageiros.
A primeira correspondência oficial brasileira, enviada daqui para o rei de Portugal em 1500, saiu das mãos do navegante Pero Vaz de Caminha, contando as maravilhas do país recém-descoberto por Pedro Álvares Cabral. A carta de Caminha é considerada a certidão de nascimento do Brasil por ser seu primeiro documento oficial. Atualmente, está guardada na Torre do Tombo, em Lisboa, Portugal.
Em 1673, foi criado o \"Correio-mor das cartas do mar\", que não resolveu o problema de ligação postal entre Brasil e Portugal já existente e preocupante. Os dois países não mantinham um serviço organizado e eficiente, tendo que recorrer às nações vizinhas.Os problemas foram solucionados com a criação dos Correios Marítimos em 1798, que estabeleceu uma ligação postal marítima regular entre Rio de Janeiro e Lisboa.A primeira agência postal foi criada no mesmo ano, na cidade de Campos, no Rio, e o serviço de caixas postais passaram a ser instituído em 1801.
Em 1844, foi criado o serviço de entrega de correspondências a domicílio e 83 anos depois, em 1927, inicia-se o transporte de correspondência via aérea entre América do Sul e Europa. Três anos mais tarde, o então presidente da república, Getúlio Vargas, instituiu o Departamento de Correios e Télegrafos (DCT), que originaria a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), criada em 20 de março de 1969 e responsável pela prestação de serviços postais, recebendo e despachando para todo Brasil.
Fonte: www.neruda.uchile / Portal São Francisco
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