Campanha Salarial 2017
Coragem em lutar por seus direitos
06 OUT 2017

Em Assembleia realizada na manhã desta sexta-feira, dia 6, a categoria dos Correios de SC decidiu aceitar a proposta do TST e retornar ao trabalho.

Os trabalhadores dos Correios tem sido surrados pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Falta condições de trabalho que da falta de manutenção dos veículos a quantidade de correspondências acumuladas nas Unidades por falta de funcionários para fazer a entrega. Mas, neste ano a estatal decidiu ir além, cortar direitos e alterar benefícios. Por isso, de maneira heroica os trabalhadores dos Correios estiveram firmes na greve.

No início da Campanha Salarial a incerteza sobre os rumos da negociação tinha a ver com o cenário político nacional e também com a importância da base, em todo o Brasil, se mobilizar e trazer a categoria de Rio Janeiro e São Paulo para a greve e foi exatamente isso o quê aconteceu.

O desafio dos dirigentes do Sintect/SC era maior porque os trabalhadores dos Correios de Santa Catarina estão machucados depois de ter os descontos nos salários dos dias parados pela luta em defesa do plano de saúde. 

Mas, mesmo assim, quem esteve na greve sabia que era preciso que fizéssemos a nossa parte.

Como resultado de toda a mobilização, após 17 dias de greve, a pressão da categoria forçou a empresa a manter as cláusulas, antes excluídas, e a discussão sobre o plano de saúde continua em vigor por mais um ano.

A vitória política em cima da Findect e da empresa foi graças ao trabalhador que compareceu aos piquetes e não trabalhou. Por isso, a posição do Sintect/SC, representante de todos os trabalhadores dos Correios em Santa Catarina, foi pela aceitação da proposta e o retorno ao trabalho,  a partir do dia 9 de outubro. 


2017: um ano duro para a classe trabalhadora

A vida do trabalhador foi difícil desde a primeira semana do ano, quando a diretoria dos Correios apresentou uma proposta de ataque ao plano de saúde com cobrança de mensalidade para os dependentes e compartilhamento das despesas no percentual de 10%.

A categoria não aceitou a proposta e foi para a primeira greve do ano.

Depois de 13 dias, mesmo votando contra a proposta da estatal os trabalhadores decidiram encerrar a greve. 

O Sintect/SC precisou mover uma ação contra a empresa, após a mesma ter efetuado descontos nos salários dos trabalhadores grevistas, sem conceder a opção de negociação dos dias parados, com a reposição em horas. 

Ainda em abril, os trabalhadores dos Correios ficaram indignados com a decisão da ECT em suspender as férias da categoria pelo período entre maio de 2017 a abril de 2018.

Essa atitude levou a assessoria jurídica mais uma vez acionar o Poder Judiciário.


TST entra em campo para  acabar com a greve

O vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Emmanoel Pereira, em audiência de mediação, no dia 29 de junho, apresentou uma proposta para o plano de saúde na qual os trabalhadores arcariam com os custos de consultas e exames e com a mensalidade no valor entre 5,21% e 7,82%. A Campanha Salarial na prática já havia começado.


Comando entregou a pauta em julho

A pauta nacional de reivindicações foi entregue ao presidente Guilherme Campos no dia 27 de julho. O texto foi construído com a participação de representantes dos trabalhadores, durante o 34º Conselho de Representantes da FENTECT (Conrep). A promessa da estatal era iniciar a mesa de negociação no dia 8 de agosto, mas a empresa protelou a reunião. 

TST sugere prorrogar Acordo

Mesmo insistindo, se dispondo a conversar, a empresa só recebeu os membros do Comando de Negociação no dia 22 de agosto. No mesmo dia, o TST voltou a dar palpite sobre o plano de saúde e na Campanha Salarial da categoria.

O ministro Emmanoel Pereira optou pelo caminho mais favorável ao patrão, oferecendo para a categoria a prorrogação de todas as cláusulas do Acordo Coletivo de 2016. A proposta entraria em vigor a partir de fevereiro, desde que não houvesse greve. 

A Fentect rejeitou a interferência do TST, mesmo antes de iniciar as negociações com da Campanha Salarial e rejeitou a proposta apresentada pelo ministro.  

Além disso, era preciso estar atento ao motivo pelo qual a empresa propôs estender o prazo para a discussão da pauta, em um cenário de aprovação da Reforma Trabalhista que coloca a categoria numa condição desfavorável na negociação.

Descaso da ECT

Na primeira reunião com o Comando a empresa propôs a exclusão de várias cláusulas e não apresentou a proposta econômica. Após 40 dias, desde a entrega da pauta, a primeira reunião do Comando aconteceu no final de agosto e durou apenas 30 minutos. Havia ficado claro, a luta seria dura e a paralisação inevitável.

Em greve, os trabalhadores souberam de uma proposta da ECT com reposição de 2,71% mais ganho real de 0,29% de ganho real, totalizando 3%, a partir de janeiro de 2018. O presidente Guilherme Campos deixou claro que não faria concessões e seria mantido todos os cortes nas cláusulas do ACT.


Força da categoria fez a diferença

Com dezenas de trabalhadores sem trabalhar desde o dia 19 de setembro a categoria chegou ao dia 4 de outubro, segurando a pressão e as ameaças da empresa. Como resultado da luta, a empresa recuou e os trabalhadores arrancaram uma última proposta na qual a estatal propôs a reedição do texto do ACT 2016/2017 e reajuste financeiro retroativo ao mês de agosto.

Agora, a luta continua, pois, a discussão sobre o plano de saúde está em aberto.



 

Proposta do TST para o Acordo Coletivo aprovada pela categoria de SC em Assembleia realizada no dia 6 de outubro: 

- Reajuste pelo INPC (2,07%)

Este índice está abaixo da inflação vigente, nos salários e benefícios retroativo a agosto de 2017.

- Dias Parados

Compensação de 64 horas, equivalente a 8 dias, sendo:

  1) Serão compensadas 6 horas aos sábados para os trabalhadores e trabalhadoras que efetivamente trabalharem de segunda a sexta.

  2) Aos trabalhadores e trabalhadoras que efetivamente trabalharem de segunda a sábado, as horas serão compensadas da seguinte forma:

  - 4 horas entre segunda e sexta

  - 2 horas aos sábados

Todas as compensações serão dentro da própria Unidade e efetuadas até o dia 30/12/2017 e o restante das horas serão descontadas.

PLANO DE SAÚDE CONTINUA SENDO MEDIADO PELO TST QUE JÁ DEMONSTROU NA PROPOSTA APRESENTADA ANTERIORMENTE O DESCONTO NO PERCENTUAL ENTRE 5,21% A 7,82% DO SALÁRIO BRUTO DE CADA BENEFICIÁRIO E DE CADA DEPENDENTE.

- Proposta para as demais cláusulas

Será mantido o texto das cláusulas, com exceção da GIP, já incorporada ao salário.

- Abusividade da Greve

Por haver compensação dos dias parados, a greve deixaria de ser considerada como abusiva.





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